Cultura


 

 

O 70° Festival de Cannes desse ano vai do dia 17 ao dia 28 de maio.
Esse ano,
Claudia Cardinale foi a escolhida para ser o centro das atencões do cartaz cujo júri será presidido por Pedro Almodóvar. A Atriz italiana que mora em Paris, aparece lá, girando em uma longa saia, descalça, cabelos longos num sublime fundo vermelho.


A foto foi feita durante uma sessão em um telhado de Roma em 1959 por um fotógrafo desconhecido. Agora com 78 anos, ela ficou famosa por seus papéis em filmes de Visconti: O Leopardo e Rocco e Seus Irmãos ou ainda A Pantera Cor de Rosa.

O festival abre com a apresentação do filme: Les Fantômes d’Ismael do diretor Arnaud Desplechin, estrelando Mathieu Amalric, Marion Cotillard e Charlotte Gainsbourg.
Para quem estiver pela Côte d’Azur nessa época, não deixe de consultar as dicas do
PARIS RDRG que vou dar nos próximos posts.

 

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Em um momento de transição de poder na França, nada mais insólito que uma exposição das poltronas do poder! Uma mostra secreta, pois pouquissima informação sobre essa exposição original circula pelas mídias.
O mobiliário nacional tem uma coleção que reflete a história do poder francês: assentos de tribunal, assentos principescos, poltronas das ordens de Estado, e não só da França mas, tronos de reis também como esse onde o rei do Marrocos pousou seu bumbum em visita a Paris (foto).
Um projeto conjunto, elaborado pelo decorador Jacques Garcia (responsável pelo sucesso do Hotel Costes), com mais de trezentos assentos, apresentado na Galerie des Gobelins.

O assento é repetidamente encontrado no coração de questões de poder. Exemplo: um vídeo mostra a humilhação da qual Jacques Chirac foi vítima em 1976 é uma perfeita ilustração. Jacques Chirac sentiu-se humilhado por ter sido instalado em uma simples cadeira e enfrentar o, então presidente, Valérie Giscard d’Estaing sentado em uma majestosa poltrona em um encontro divulgado pela televisão.

Não muito elegante ou não suficiente, a cadeira branca (foto) com uma base quadrada e uma moldura de madeira escura, foi usada por François Hollande para assistir ao desfile da tribuna oficial, durante o desfile do 14 de julho. Se os ilustres convidados na primeira fila tinham o direito a uma cadeira criada em 2000 por Christophe Pillet, as delegações colocadas logo atrás deles, tiveram que de se contentar com uma cadeira branca bem simples. Não perca a cadeira de Ministro da cultura Jacques Lang, verde amendoa com pés em escultura…não coloquei foto para criar a surpresa, mas garanto um programa divertido e rico em informações para curiosos e inspirações para decoradores e designers.
Em tempos de mudanças, aguardamos nessa dança das cadeiras, onde Emmanuel Macron vai se sentar para dirigir o país durante os próximos 5 anos.

SIÈGES EN SOCIÉTÉ – DU ROI-SOLEIL À MARIANNE – até 24 de setembro 2017
Galerie des Gobelins – 42 Avenue des Gobelins, 75013 Paris

 

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Impressions Mémorielles é uma exposição que reúne o trabalho de 10 fotógrafos franceses, africanos e brasileiros, sobre o tema da escravidão: Céline Anaya Gautier, José Bassit Robert Charlotte, David Damoison, Claudio Edinger, Mirtho Linguet Fabrice Monteiro, Samuel Nja Kwa Veronique Vial e Adolphe Catan (1899-1979). Cada um oferece um olhar artístico e contemporâneo da escravidão e o seu comércio.
Depois de séculos de tratamento desigual, injusto e abominável, a exposição é uma aula de respeito ao ser humano. A data de abertura da exposição no Musée de l’Homme, 10 de maio, é próxima do dia 13 de maio, abolição da escravatura no Brasil.

Decididamente o Museu está com o Brasil no coração. Dia 15 de maio, a linda chef Morena Leite assume as rédeas do restaurante como já falamos e promovemos na plataforma do Paris Mania.
Agora é o grande fotografo brasileiro
Claudio Edinger que participa dessa importante mostra. Engajado, simpático, talentoso e ainda por cima companheiro da fotografa Betina Samaia que é uma amiga querida desde os tenros tempos de escola, Claudio divide com o PARIS RDRG; um ótimo texto seu sobre a a história da fotografia. Se estiver em Paris, não perca!

Histórias da fotografia – ou, como a fotografia já nasceu arte – ou, como desde o começo ela mente descaradamente – ou, o primeiro selfie da história.

No dia 7 de janeiro de 1839 a Academia Francesa de Ciências apreciou extasiada a invenção que iria mudar pra sempre a vida de todos nós e, principalmente, a arte como era praticada até então.

O pintor e cientista Louis-Jacques Daguerre mostrou imagens nítidas, feitas com sua invenção, o daguerreotipo, ou a primeira câmera fotográfica.

Antes disso, Daguerre havia inventado o diorama, ou um cenário específico que, iluminado por ele, cria um espetáculo teatral que fazia sucesso na época, em 1822. (Por exemplo, no Museu de História Natural de Nova York os animais são todos colocados num diorama, imitando seu habitat natural).

Para poder aprimorar o diorama (que era pintado) Daguerre se associou a Nicéphore Niépce, o primeiro a fixar uma imagem em um papel, em 1826, e, anos depois, acabou sendo conhecido como o inventor da fotografia.

Um outro francês Hippolyte Bayard também havia inventado a fotografia, mas usando papel em vez de uma chapa de cobre como Daguerre.

François Arago, astrônomo, membro da Academia de Ciências e amigo de Daguerre, convenceu Bayard a não mostrar sua invenção ainda. Daguerre sai na frente e fica famoso enquanto Bayard é ignorado.

Furioso, Bayard manda um auto retrato – “morto” – para os membros da Academia (comprovando assim sua invenção).

Escreve atrás da foto, “aqui jaz M. Bayard, inventor do processo que aqui veem nesta imagem. Há três anos este inventor tem andado muito ocupado, aprimorando sua criação. Quando soube que todo credito pela invenção da fotografia foi dado injustamente ao M. Daguerre, se matou.”

E o pior é que para fazer esta foto sentou-se imóvel por 12 minutos, o tempo necessário para fazer uma foto, usando o seu processo. Os olhos fechados fazem parte dos 12 minutos – ninguém fica tanto tempo sem piscar.

Criou uma obra de arte, a primeira foto explicitamente artística já que é, acima de tudo, produto da imaginação de seu autor. E absolutamente mentirosa já que Bayard foi, mais tarde, vivo da silva, um dos fundadores da Sociedade Francesa de Fotografia.

Foto: Hippolyte Bayard, selfie morto, 1839

Claudio Edinger e Impressions Mémorielles – 10 de Maio a 10 de Julho
Musée de l’Homme
17, Place du Trocadéro 75116 Paris

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A catedral de Notre-Dame recebe 13 milhões de visitantes por ano. No entanto, poucos sabem pequenas coisas sobre ela. A pedidos, vou contar uns segredos menos conhecidos para quem vier visitá-la.

A coroa de espinhos de Cristo está em uma das capelas. Tinha sido transferida de Jerusalém para Constantinopla, até ser comprada por Luís IX, o Saint Louis. O rei a trouxe para Notre Dame, descalço e sem sua elegância real, em 19 de agosto 1239. Se você quiser ver essa mais valiosa relíquia da catedral, ela pode ser vista a cada primeira sexta-feira do mês, às 15h, às sextas-feiras da Quaresma às 15h e na sexta-feira santa das 10h às 17h.

O famoso escritor Victor Hugo (não é aquele que faz bolsas) impediu sua destruição durante a revolução francesa. As estátuas dos reis foram decapitadas e a catedral até virou um armazém. Queriam destruir e vender as pedras! Mas o romance Notre Dame de Paris, escrito pelo autor em 1831, reavivou o interesse na Idade Média e da catedral. Ela será restaurada por Eugène Viollet-le-Duc, que ainda acrescenta uma seta e uma estátua dele no telhado. Boa visita.

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Posted By on fev 3, 2017

Vamos falar um pouco de cultura essa semana e de uma grande novidade que vai acontecer.
No Sena, a Ile de Seguin já foi, depois do fim da usina automobilística Renault, um centro de discordia entre vários investidores e o governo. Mas agora, será um centro cultural e artístico que vai ser construido. Ele inclui um espaço para exposições, um cinema multiplex e um hotel com 220 quartos onde cada um vai abrigar uma obra de arte de um artista francês.

O centro de arte vai apresentar a coleção do patrimônio da Renault e colaborações com a Fundação Giacometti e a Fundação Gandur fazem parte do programa. No outro extremo da ilha, “O Seine Musical”, será construído no antigo local da usina, com um auditório com mais de 1.000 lugares e um enorme a auditório que abre suas porta na primavera, na a forma de um enorme “ovo” em vidro projetado pelo arquiteto japonês Shigeru Ban.Uma ótima novidade cultural para Paris!

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Cada temporada de moda é difícil escapar à questão do código vestimentar quando a roupa vira escândalo. TENUE CORRECTE EXIGÉE, QUAND LE VÊTEMENT FAIT SCANDALE é  um convite a rever os escândalos na história da moda desde o século XIV até nossos dias. Uma exposição original com cerca de 300 peças de vestuário e acessórios, retratos, caricaturas e pequenos objetos que quebram códigos e valores morais. Vestido para homens, calças femininas, smoking para mulheres tudo que marcou uma ruptura com convençōes.

Desde a Bíblia as roupas estão intimamente relacionadas com o pecado original. Adão e Eva viviam nus, levando uma vida de prazeres, e com uma folha começou a idéia de pudor. Na Idade Média as regras em vigor impostas para se vestir são muitas: batismo, comunhão, casamento e luto ou festa. Há também regras de vestuário que se aplicam ao poder do povo como o retrato de Marie Antoinette vestida com uma camisa que fez um tal escândalo e teve que ser substituído por outro em um vestido mais convencional. A política contemporânea também tem seus exemplos como a gola Mao, usado pelo ministro Jack Lang em 1985 para a Assembleia Nacional desenhada por Thierry Mugler

O aparecimento de moda unissex 1960, com as mulheres se apropriando do guarda-roupa masculino: chapéu, casaco, calças também está na exposiçāo. As precursoras desta “androginia” surgiram no século XVII com as aristocratas inglesas que gostavam de vestir roupas do sexo masculino. Marlene Dietrich e seu smoking, Gabrielle Chanel que contribuiu a masculinisar a silhueta feminina. Elsa Schiaparelli e Yves Saint Laurent validam definitivamente a entrada das calças no vestiário feminino. No entanto, so foi em 2013 a revogaçao do decreto do Acto de 1800 que permitiu oficialmente as mulheres a usá-lo em todos os momentos! Por seu lado, os homens também adotaram roupas femininas como a saia criada por Jean Paul Gaultier, e que hoje ja se banalisan em coleções de jovens designers.

O Desafio do excesso se percebe nos saltos vertiginosos, penteados do século XVIII; no muito transparente, no muito decotado, no muito justo, no muito rasgado, nas mini-saias de Mary Quant, criaçoes de André Courrèges, Pierre Cardin e Paco Rabanne.  Casacos de peles e penas foram objetos de vários escândalos no século XVIII, quando uma pessoa usa o animal como ornamento.

A exposição termina com roupas, que desde 1980 a 2015, foram manchetes de revistas. Estes incluem, entre outros, a coleção (primavera/verão 2000) de John Galliano para a Dior que foi inspirada nos mendigos ou mais recentemente; a coleção de Rick Owens (primavera/verão 2015) revelando a anatomia masculina.

“Como devo me vestir? As escolhas de roupas e o que elas revelam sobre valores e tabus. Como consultor de estilo, eu mesmo, não poderia deixar de aconselhar essa exposição à vocês! No Museu de Artes Decorativas, ao lado do Louvre, até dia 23 de abril.

Tenue correcte exigée : Quand le vêtement fait scandale
Musée des Arts décoratifs
107, rue de Rivoli
75001 Paris

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