Claudio Edinger na Exposição : Impressions Mémoriales

Posted By Luiz Paulo Xavier de Sá on maio 6, 2017 in Cultura |


Impressions Mémorielles é uma exposição que reúne o trabalho de 10 fotógrafos franceses, africanos e brasileiros, sobre o tema da escravidão: Céline Anaya Gautier, José Bassit Robert Charlotte, David Damoison, Claudio Edinger, Mirtho Linguet Fabrice Monteiro, Samuel Nja Kwa Veronique Vial e Adolphe Catan (1899-1979). Cada um oferece um olhar artístico e contemporâneo da escravidão e o seu comércio.
Depois de séculos de tratamento desigual, injusto e abominável, a exposição é uma aula de respeito ao ser humano. A data de abertura da exposição no Musée de l’Homme, 10 de maio, é próxima do dia 13 de maio, abolição da escravatura no Brasil.

Decididamente o Museu está com o Brasil no coração. Dia 15 de maio, a linda chef Morena Leite assume as rédeas do restaurante como já falamos e promovemos na plataforma do Paris Mania.
Agora é o grande fotografo brasileiro
Claudio Edinger que participa dessa importante mostra. Engajado, simpático, talentoso e ainda por cima companheiro da fotografa Betina Samaia que é uma amiga querida desde os tenros tempos de escola, Claudio divide com o PARIS RDRG; um ótimo texto seu sobre a a história da fotografia. Se estiver em Paris, não perca!

Histórias da fotografia – ou, como a fotografia já nasceu arte – ou, como desde o começo ela mente descaradamente – ou, o primeiro selfie da história.

No dia 7 de janeiro de 1839 a Academia Francesa de Ciências apreciou extasiada a invenção que iria mudar pra sempre a vida de todos nós e, principalmente, a arte como era praticada até então.

O pintor e cientista Louis-Jacques Daguerre mostrou imagens nítidas, feitas com sua invenção, o daguerreotipo, ou a primeira câmera fotográfica.

Antes disso, Daguerre havia inventado o diorama, ou um cenário específico que, iluminado por ele, cria um espetáculo teatral que fazia sucesso na época, em 1822. (Por exemplo, no Museu de História Natural de Nova York os animais são todos colocados num diorama, imitando seu habitat natural).

Para poder aprimorar o diorama (que era pintado) Daguerre se associou a Nicéphore Niépce, o primeiro a fixar uma imagem em um papel, em 1826, e, anos depois, acabou sendo conhecido como o inventor da fotografia.

Um outro francês Hippolyte Bayard também havia inventado a fotografia, mas usando papel em vez de uma chapa de cobre como Daguerre.

François Arago, astrônomo, membro da Academia de Ciências e amigo de Daguerre, convenceu Bayard a não mostrar sua invenção ainda. Daguerre sai na frente e fica famoso enquanto Bayard é ignorado.

Furioso, Bayard manda um auto retrato – “morto” – para os membros da Academia (comprovando assim sua invenção).

Escreve atrás da foto, “aqui jaz M. Bayard, inventor do processo que aqui veem nesta imagem. Há três anos este inventor tem andado muito ocupado, aprimorando sua criação. Quando soube que todo credito pela invenção da fotografia foi dado injustamente ao M. Daguerre, se matou.”

E o pior é que para fazer esta foto sentou-se imóvel por 12 minutos, o tempo necessário para fazer uma foto, usando o seu processo. Os olhos fechados fazem parte dos 12 minutos – ninguém fica tanto tempo sem piscar.

Criou uma obra de arte, a primeira foto explicitamente artística já que é, acima de tudo, produto da imaginação de seu autor. E absolutamente mentirosa já que Bayard foi, mais tarde, vivo da silva, um dos fundadores da Sociedade Francesa de Fotografia.

Foto: Hippolyte Bayard, selfie morto, 1839

Claudio Edinger e Impressions Mémorielles – 10 de Maio a 10 de Julho
Musée de l’Homme
17, Place du Trocadéro 75116 Paris